Conhecendo um pouco da história das vacinas

Dentre todas as medidas preventivas de doenças e de todo avanço tecnológico da medicina, a vacinação representa uma das maiores conquistas da humanidade no enfrentamento de doenças, e nenhuma outra medida representa tamanho impacto, em termos de saúde pública ou não, na promoção de saúde.

A história das vacinas se iniciou há mais de 1000 anos no continente asiático e foram os chineses que iniciaram a variolização que é contato de pústulas de pacientes infectados pela varíola com indivíduos sadios, como forma de induzir quadros mais leves da doença. Mas foi por volta do início do século XVIII que a doença chegou ao continente europeu. Nesta época poucas pessoas passavam pela juventude sem adquiri-la e as taxas de mortalidade variavam entre 10 a 40%.

O médico inglês Edward Jenner (1749-1823) observou que mulheres ordenhadoras de vacas contaminadas pelo cowpox vírus, vaccínia ou varíola das vacas, não desenvolviam a doença e que a sua imunidade se devia a infecção não perigosa da doença, isto é, pela pele e não pela via respiratória, permitindo resposta imunológica ao indivíduo antes que houve replicação do vírus.

É histórica a passagem em que Napoleão Bonaparte, em 1805, ordenou a vacinação de todos os soldados franceses contra a varíola. Cerca de aproximadamente 170 anos mais tarde, o vírus da varíola teria sido erradicado do planeta, um dos maiores feitos da medicina preventiva.

Foi somente em 1870 que Louis Pasteur e Robert Koch puderam estabelecer a relação de causa e efeito entre microrganismo patogênico e certas doenças. Pasteur através de experimentos com várias passagens em vitro descobriu a técnica de atenuação, capacidade de diminuir a virulência de uma bactéria sem perder a sua antigenicidade ou capacidade de produzir anticorpos. Por volta de 1885, criou a vacina contra a raiva, doença viral fatal, em geral transmissível ao homem através da mordedura de um mamífero infectado.

Em 1949, ocorreu o primeiro cultivo de vírus em laboratório, com empregos das técnicas de atenuar ou inativar, gerando a produção de vacinas, porém, não mais apenas na forma de organismos inteiros ou de suas toxinas inativadas que produziam muitos efeitos colaterais. Este feito valeu aos pesquisadores, o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1954.

A primeira geração de vacinas do século XX, anteriores a Segunda Guerra Mundial, não são tão sofisticadas como as atuais, mas foram suficientes para reduzirem significativamente a morbidade e a mortalidade de diversas doenças infecciosas, dando credibilidade aos programas de prevenção como aos que temos hoje.

No Brasil, vale destacar os trabalhos de Oswaldo Cruz, médico e sanitarista de reconhecimento internacional. Atuou no combate a violenta epidemia de peste bubônica, em 1900, no Rio de Janeiro, com extermínio de ratos, cujas pulgas transmitiam a doença. Posteriormente, Oswaldo Cruz estabeleceu a relação entre febre amarela e a picada de mosquito fêmea infectado, cuja redução de casos da doença somente aconteceu após a adoção de medidas sanitárias pela população.

A vacina contra a febre amarela só viria em 1937. Data de 1971 a ocorrência no Brasil do último caso de varíola. Somente em 1977 foi instituído o primeiro Calendário Básico e o Cartão de Vacinas com as vacinas obrigatórias para os menores de um ano de idade. Desde então, o número de vacinas e a população alvo foi sendo ampliada, inclusive por meio de campanhas, com deferência para a vacinação para o rotavírus humano em 2006, a campanha nacional de vacinação contra a rubéola para jovens e adultos em 2008, a campanha contra o vírus influenza H1N1 e a inclusão de vacinas contra infecções pneumocócicas (pneumocócica 10 valente) e meningocócicas C em 2010. Em 2011, a ampliação da vacina contra hepatite B para a faixa etária entre 20 e 24 anos de idade.

Embora tenha havido progresso a cada ano na adoção de medidas preventivas contra diversas doenças infecciosas como ampliação do calendário de vacinas, o surgimento de novos agentes infecciosos ou de novas cepas virulentas por meio de mutações, obriga a comunidade médica a manter constante o desafio de desenvolver e aprimorar novas tecnologias no campo da imunização.