Categoria: Saúde em foco

Com longevidade aumentando, cresce prevalência das doenças cardiovasculares

 

O colesterol é uma substância (esterol) sintetizada no fígado e intestino dos animais, encontrado nas membranas celulares e transportado na corrente sanguínea. É o principal constituinte dos sais biliares e dos hormônios.

O colesterol elevado é proveniente, em grande parte, de erros relacionados ao seu próprio metabolismo, conhecido como doença do receptor e, em menor parte, proveniente da dieta rica em gordura saturada de origem animal. O colesterol total é composto basicamente por três subfrações: HDL (colesterol bom), LDL (colesterol ruim), VLDL (fração obtida a partir dos níveis de triglicerídes).

A relação dos níveis elevados de colesterol ruim circulante (LDL) com doenças ateroscleróticas, tais como infarto, acidente vascular cerebral já foi determinada desde os primeiros estudos de prevenção de Framinghan na década de 60. Quem tem colesterol alto morre mais de infarto e AVC (acidente vascular cerebral)! Dada a sua importância em termos de prevenção e conscientização, no dia 8 de agosto é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Colesterol.

Ressalta-se aqui que o colesterol é exclusivo do reino animal, de tal forma que o mesmo não é encontrado em nada relativo ao reino vegetal.  O Colesterol está para o reino animal, assim como os triglicérides (depósito de carboidrato) estão para o reino vegetal.

O colesterol tem base genética, predominantemente, e menos influência da alimentação, enquanto que mudanças de hábitos, em termos de carboidratos, alcançam reduções de até 60% nos níveis de triglicérides, apenas 15 a 20% de reduções nos níveis do colesterol são alcançados com dietas pobres em gordura animal. Desta forma, o colesterol diferentemente dos triglicérides, são menos comportamentais, isto é, menos dependentes de mudança do estilo de vida.

Na avaliação do risco cardiovascular de qualquer paciente, procura-se identificar os fatores de risco não modificáveis (idade, sexo e história familiar de doenças cardiovasculares em parentes de primeiro grau) e fatores modificáveis (obesidade, sedentarismo, estresse profissional ou familiar, diabetes, hipertensão arterial e colesterol alto), para então, a partir daí, iniciar as mudanças de estilo de vida ou uso de medicamentos.

Se por um lado, o paciente possui um ou mais fatores de risco não modificáveis, isto é, carrega consigo a genética familiar de doença cardiovascular de infarto em um dos pais e idade pós-menopausa, do outro lado, os fatores de risco modificáveis necessitarão ser trabalhados a fim de reduzir o risco global deste paciente.  Desta forma, a meta em termos de redução do colesterol, será mais ou menos restritiva, a depender dos vários fatores de risco que no mesmo paciente possam coexistir. A apresentação do infarto, por vezes com óbito, não é o início da doença aterosclerótica (doença com formação das placas de gordura), mas sim o desfecho de uma doença multifatorial iniciada muitas vezes há anos ou décadas esquecida de qualquer forma de prevenção.

Foi a partir dos aprendizados do estudo de Framinghan, o conhecimento de que os fatores de risco são multiplicativos e não apenas aditivos, o que, equivale dizer, se num mesmo paciente coexistir vários fatores de risco, o risco global para o desenvolvimento de doença aterosclerótica fica muito aumentado. Mas, o lado bom é que a subtração de qualquer um dos fatores de riscos (redução de peso, controle do diabetes e da hipertensão arterial, abandono do tabagismo, etc), pode resultar em importante redução do risco global. Para cada fator subtraído, retira-se um fator multiplicador do risco final.

Nos anos 80, atribuia-se ao colesterol a culpabilidade, pelo menos em grande parte, do risco de infarto e AVC principalmente. Com base em alguns estudos pode-se observar que ao menos quase 50% dos pacientes infartados apresentavam colesterol abaixo dos níveis da média populacional. Em setembro de 2016, o mundo também tomou consciência através dos jornais, da publicação no artigo científico na revista Jama Internal Medicine, sobre o delineamento inadequado e inverídico de informações publicadas na década de 60, patrocinado pelas indústrias açucareiras, com objetivo explícito de demonizar o colesterol como causa maior para doenças cardiovasculares, em pról de interesses escusos como a alavancagem de seus negócios. Muitas gerações, sucessivamente, acreditaram que se deveria combater o colesterol, sem nenhuma preocupação com a ingestão de doces por exemplo. Agora, à luz dos novos conhecimentos sobre a doença cardiovascular obstrutiva e a introdução do conceito de doença multifatorial, permite-se no momento, o entendimento para a seleção dos pacientes que estão sobre maior risco para eventos cardiovasculares e tratá-los preventivamente.

Vacinação contra a gripe

Vacine-se contra a gripe!
A maior pandemia que se tem na história da humanidade foi a gripe espanhola de 1918, durante a primeira grande guerra mundial. Conhecida como gripe espanhola porque teria começado na Espanha e percorrido o resto do mundo. Foram cerca de 100 milhões de mortes, o que correspondia na época a 5% da população mundial. Morreu cerca de 1/3 da população europeia. Avançou por todos os continentes e dizimou exércitos inteiros pela aglomeração dos soldados. Somente no Brasil foram 300 mil mortes, inclusive do Presidente da República na época, 1919, Rodrigues Alves. Personalidades da época também faleceram pela gripe, como a educadora Anália Franco. Surpreendentemente o vírus da época era o próprio vírus influenza A H1N1 que também em 2009 foi responsável pela pandemia da gripe suína, que na época se constituiu em alerta 6, máximo, pela OMS. Em 2016 voltamos a ter novos casos, inclusive com muitas mortes no Brasil. 12174 casos de gripe e 2220 óbitos notificados, 18% de mortalidade. E neste ano, embora não haja nenhum motivo para pânico, algumas evidências apontam para aumento de precaução principalmente nos extremos das idades, isto é, crianças e idosos, além de alguns grupos especiais (gestantes, pacientes com comorbidades, diabeticos, reumatológicos em vigência de terapia imunossupressora, pacientes oncológicos, cardiopatas e portadores de doenças pulmonares de base,como DPOC, asma e enfisema). As evidências são que os vírus já circulam por alguns estados brasileiros como foram notificadas a ocorrência de 8 mortes por H1N1 em Goiás, 2 casos recentes na cidade de Taubaté-SP, e na última semana, de acordo com Instituto Adolfo Lutz, 2 mortes em Rio Claro-SP, por H1N1. Aliado a isto nos EUA, como divulgado pela impressa, os vírus circularam em 49 estados americanos, 46 mil pacientes infectados, epidemia, e com mortalidade elevada. Destaca-se, ainda, que lá houve circulação também do vírus H3N2, além do H1N1 como ocorrido aqui em 2016. Assim, a considerar que o inverno ainda não começou e já termos casos desta gripe confirmada, isto exige uma precaução maior. Início súbito de febre alta e tosse, são sinais que diferenciam a gripe de um resfriado comum. Outros possíveis sintomas sao dor de garganta, diarreia e vômito, coriza e dor nas articulações. Como se previnir? Lavar as mãos frequentemente, cobrir a boca com um lenço ao tossir ou espirrar, uso máscaras, abrir portas e janelas para melhorar a ventilação, evitar aglomerados de pessoas e vacinação. Qual o melhor período para se vacinar? Antes do inverno, mas a vacinação pode acontecer em qualquer fase do ano. A vacina é segura? Sim, a vacina contém formas inativas dos vírus. No caso da vacina tetravalente que temos no CENTROCOR, ela contém 2 cepas do vírus A ( H1N1 e H3N2) e duas linhagens do vírus B conhecida como linhagem Victoria e Yamagata. Quais as reações da vacina? Normalmente não ocorre nenhuma reação, exceto dor eventual no local da picada e, muito esporadicamente, febrícula autolimitada. Quem não deve tomar a vacina da gripe? A vacina da gripe está indicada para todas as pessoas, a partir de 6 meses de vida, principalmente nas de maior risco como descrito. A vacina deve ser postergada somente se o paciente estiver com alguma condição clínica como pneumonia e com febre. Quem tomar a vacina da gripe não pega gripe? A vacina da gripe confere imunidade em torno de 70% em termos de proteção para os vírus inativos contidos na vacina, e esta proteção diminui ao longo de 1 ano, uma vez que especialmente o vírus influenza A, H1N1 e H3N2, são formas altamente mutantes de ano para ano, obrigando a revacinacão anual para garantir maior segurança. Assim, a vacina protege contra estas 4 formas mais graves da doença, mas o individuo ainda pode desenvolver outras gripes provocadas por vírus menos agressivo, menos letal, como apenas para citar, vírus sincicial respiratório, adenovírus, rinovírus, coksackie virus, etc, além dos resfriados, evidentemente, que também são causados por vírus.
Desta forma, concluo dizendo que a forma mais segura e impactante em termos de prevenção é a vacinação. Proteja-se!

 

 

 

Colesterol alto

 O QUE É COLESTEROL? o colesterol pode ser considerado um tipo de lipídio (gordura) produzido em nosso organismo.  Está presente em alimentos de origem animal ( Ex: carne, leite integral, ovos, etc.)
 Em nosso organismo o colesterol desempenha funções essenciais, como produção de hormônios e vitamina D. No entanto, o excesso de colesterol no sangue é prejudicial e aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, entre elas o infarto.
QUAIS OS SINTOMAS ? o colesterol alto não apresenta sintomas.
COMO É O TRATAMENTO ? Existem remédios para controlar o colesterol alto mas a mudança  no estilo de vida com dieta adequada e a prática de exercícios físicos regular, constitui-se em medida sustentável e indispensável de controle.

Expectativa de vida

A expectativa de vida média das pessoas tem aumentado de forma importante nos últimos anos. Tal fato se deve a diversos fatores, entre eles, a compreensão da relação entre os fatores de riscos cardiovasculares, como a hipertensão, diabetes e tabagismo, com a mortalidade. Hipócrates, pai da medicina, já dizia no século V antes de Cristo, que os gordos morrem naturalmente mais que os magros. Entretanto, foi somente a partir dos estudos iniciados em 1948, em Framingham, vilarejo no estado de Massachusetts nos Estados Unidos, que se pode constatar que diferentes fatores interferem com a expectativa de vida das pessoas. Descobriu-se, por exemplo, que a hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo quando presentes, isolados ou em associação, tem relação direta com aumento da mortalidade. E, o mais importante, estes fatores não apenas se somam quando presentes num mesmo paciente como se imaginava, mas pelo contrário, e muito pior, eles se multiplicam, elevando assustadoramente o risco de morte. É exatamente desta observação e pela importância que ela revela que advém a iniciativa de persistir na orientação do paciente para mudar seu estilo de vida, pois para cada fator eliminado ou atenuado, isto é, controle da hipertensão arterial, do diabetes e cessação do tabaco, está se retirando um fator multiplicador do risco total de morte das pessoas.

Importância da adesão ao tratamento

Tomar um medicamento, qualquer que seja tal como um simples analgésico, é um grande sacrifício para algumas pessoas. Por outro lado, existem aquelas que preferem sempre ter algum medicamento a mão na eventualidade de algum sintoma. Entretanto, a automedicação, sem a orientação médica adequada, deve ser evitada e desestimulada entre as pessoas, pois pode trazer graves consequências à saúde, inclusive com risco de morte. Manter a saúde em boa forma passa por medidas educacionais de alimentação, adoções de hábitos de vida saudável, como práticas de exercícios físicos regulares, e visitas periódicas aos profissionais de saúde para prevenção e tratamento de doenças. Diferentemente da automedicação, à adesão ao tratamento de doenças como diabetes, colesterol e triglicérides elevados, e hipertensão arterial, aliados a mudança do estilo de vida, constitui-se em meio eficiente na redução de mortalidade. Em visita ao Brasil em meados do ano passado, o professor e pesquisador espanhol, residente nos Estados Unidos, Valentin Fuster, tinha como tema principal de sua aula a ser ministrada aos médicos brasileiros cardiologistas, “Perspectivas para a medicina no ano de 2020”. Para surpresa de muitos dos profissionais presentes, que esperavam uma aula onde se abordasse novos marcadores de doença, ou novas tecnologias da área médica, o Professor Fuster levantou a questão da necessidade de aumentar à adesão ao tratamento como meta de combate às doenças, com base nos avanços médicos atuais já adquiridos, sem priorizar novas invenções. O que o Professor Fuster disse é que já avançamos bastante em termos de aparelhagem e tecnologia médica, mas que agora precisamos fazer uso deste conhecimento e adotar medidas que aumentem a adesão dos pacientes para o uso de medicamentos já disponíveis, especialmente nas situações que requeiram uso prolongado, tais como o tratamento da hipertensão arterial. É importante salientar que os avanços tecnológicos, nem sempre disponíveis para grande parte da população, são importantes para o diagnóstico precoce de diversas doenças, mas, é no campo da prevenção, onde estão as maiores possibilidades de prolongar a expectativa de vida, e isto, pode estar disponível, inclusive, para as classes sociais menos favorecidas, pela adoção de alimentação saudável e práticas regulares de exercícios físicos.

Envelhecimento e aterosclerose

Envelhecer sem os riscos da aterosclerose é tema de grande interesse para a ciência.  Muitos anos se passaram até o conhecimento da teoria moderna da aterosclerose. O professor de Medicina da Harvard Medical School, Peter Libby, foca suas pesquisas no papel da inflamação nas doenças vasculares, especialmente a aterosclerose, área em que é pioneiro (N Engl J Med 1999; 340:115-126). Mais de dez anos se passaram e o entendimento da formação da placa de aterosclerose trouxe inúmeras inovações no campo da prevenção e do tratamento. No início dos anos 80, sabia-se da importância do colesterol no processo de obstrução dos vasos, mas, este processo ainda não era muito bem compreendido. Com os conhecimentos modernos, principalmente os advindos após as publicações do Professor Peter Libby, é que pode se entender, por exemplo, como praticamente metade dos pacientes que enfartam, possuem níveis médios de colesterol abaixo da média populacional, e que a existência de outros fatores está envolvida na gênese da aterosclerose, que não exclusivamente o colesterol. Hoje se sabe que é a partir da oxidação da fração LDL do colesterol, rica em colesterol livre e esterificado, que ocorrem os mecanismos de aterosclerose, e que os outros fatores tais como diabetes, hipertensão arterial, tabagismo, etc. podem provocar ativação da oxidação de LDL, promovendo inflamação e formação da placa de ateroma, que determina a oclusão do vaso e consequente infarto.